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<title>Documento sin título</title>
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<p align="justify"><strong>Rev Cuid 2014; 5(2): 717-22</strong><br />
  doi: <em><a href="http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83" class="su">http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83</a></em></p>
<p align="center" class="su"><strong>VIOLÊNCIA ESCOLAR:  PERCEPÇÕES DE ADOLESCENTES</strong></p>
<p align="center" class="su"><strong>LA VIOLENCIA ESCOLAR:  PERCEPCIONES DE LOS ADOLESCENTES</strong></p>
<p align="center" class="su"><strong>SCHOOL VIOLENCE: TEEN  PERCEPTIONS</strong></p>
<p align="center"><strong><em>Gilvânia Patrícia do Nascimento Paixão<sup>1</sup>,  Nágela Jaiane Silva Santos<sup>2</sup>, Laíse Souza Lima Matos<sup>2</sup>,  Clice Kelly Félix dos Santos<sup>2</sup>, Deisianne Elias do Nascimento<sup>2</sup>,  Isaiane Santos Bittencourt<sup>3</sup>, Rudval Souza da Silva<sup>4</sup></em></strong></p>
<p align="justify"><em><sup>1</sup>Universidade do  Estado da Bahia. Professora Auxiliar. Mestra em Enfermagem. Rua São Francisco,  316, Bloco 11, Apt 101, São Geraldo. Juzeiro-BA. CEP: 48.905-660. E-mail: <a href="mailto:gilvania.paixao@gmail.com">gilvania.paixao@gmail.com</a></em><br />
  <em><sup>2</sup>Universidade do  Estado da Bahia. Graduanda em Enfermagem. </em><br />
  <em><sup>3</sup>Universidade do  Estado da Bahia. Professora Assistente.   Mestra em Enfermagem.</em><br />
  <em><sup>4</sup><em>Enfermeiro,  Doutorando em Enfermagem, Bolsista CAPES, Professor Assistente da Universidade  do Estado da Bahia - UNEB/Campus VII - Senhor do Bonfim, Bahia, Brasil.</em></em></p>
<p align="justify"><strong><em>Histórico:</em></strong><em> Recibido: 22 de Mayo de 2014; Aceptado: 24 de  Julio de 2014</em></p>
<p align="justify"><em><strong>Cómo citar  este artículo:</strong> Paixão GP, Santos NJ, Matos L, Santos CK, Nascimento DE,  Bittencourt I, et al. Violência escolar: percepções de adolescentes. Rev  Cuid. 2014; 5(2): 717-22.</em> <em><a href="http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83" class="su">http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83</a></em></p>
<p align="justify"><span class="t"><em>© 2014 Universidad de Santander. Este es un artículo de acceso abierto,  distribuido bajo los términos de la licencia Creative Commons Attribution (CC  BY-NC 3.0), que permite el uso ilimitado, distribución y reproducción en  cualquier medio, siempre que el autor original y la fuente sean debidamente  citados.</em></span></p>
<p align="justify" class="su"><strong>RESUMO</strong></p>
<p align="justify"><strong>Introdução:</strong> Identificar a ocorrência e a percepção do <em>bullying</em> entre adolescentes.<strong> Materiais e Métodos:</strong> Pesquisa descritiva exploratória, de abordagem mista,  realizada em uma escola pública municipal de Senhor do Bonfim com 68  adolescentes. Foi aplicado um questionário semiestruturado e realizada análise  por meio de frequências relativas e análise de conteúdo. <strong>Resultados e Discussão:</strong> Houve uma média de 76,75% dos adolescentes  vítimas de <em>bullying</em>, a maioria dessa  violência ocorreu na forma de apelidos ofensivos, gerando, prioritariamente,  sentimentos de raiva pelo agressor, estes, por sua vez, ou eram externados aos  pais ou silenciado pelas vítimas que apontaram os agressores como os principais  culpados pelos atos de violência. <strong>Conclusões: </strong>A violência está presente na escola, sendo que o <em>bullying</em> é uma das formas de violência mais frequente. Este  fenômeno é percebido pelos alunos como algo inerente ao cotidiano<strong></strong></p>
<p align="justify"><strong>Palavras chave: </strong>Violência, Adolescente, Bullying. (Fonte: DeCS BIREME).<br />
  <em><a href="http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83" class="su">http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83</a></em></p>
<p align="justify" class="su"><strong>RESUMEN</strong></p>
<p align="justify"><strong>Introducción: </strong>Identificar la ocurrencia y  percepción de <em>bullying</em> entre adolescentes. <strong>Materiales y Métodos:</strong> Estudio  descriptivo exploratorio de abordaje mixto, realizado en una escuela pública municipal  de Senhor do Bonfim, con 68 adolescentes. Se administró un cuestionario  semiestructurado y el análisis fue realizado por medio de frecuencias relativas  y análisis de contenido. <strong>Resultados y  Discusiones:</strong> Hubo un promedio de 76,75% de los adolescentes víctimas de <em>bullying</em>, la mayoría de esta violencia  se produjo en forma de apodos ofensivos, generando principalmente sentimientos  de ira contra el agresor, éstos, a su vez, o se externalizan a los padres o es silenciado  por las víctimas que indicaron a los agresores como los principales culpables de  los actos de violencia. <strong>Conclusiones:</strong> La violencia está presente en la escuela, siendo que el <em>bullying</em> es una de las formas más frecuentes de violencia. Este  fenómeno es percibido por los alumnos como algo inherente a lo cotidiano.</p>
<p align="justify"><strong>Palabras  clave:</strong> Violencia, Adolescente,  Acoso Escolar. (Fuente: DeCS BIREME).<br />
  <em><a href="http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83" class="su">http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83</a></em></p>
<p align="justify" class="su"><strong>ABSTRACT</strong></p>
<p align="justify"><strong>Introduction:</strong> To identify the occurrence and perception of bullying among adolescents. <strong>Materials and Methods:</strong> A descriptive  exploratory approach mixed, held in a public school in Senhor do Bonfim with 68  teenagers. We administered a semistructured questionnaire and analysis  performed by relative frequency and content analysis. <strong>Results and Discussion:</strong>   There was an average of 76.75% of adolescent victims of bullying, the  majority of this violence occurred in the form of offensive nicknames,  generating primarily feelings of anger at the perpetrator, these, in turn, were  externalized or parents or muted victims indicated that the attackers as the  main culprits for the acts of violence. <strong>Conclusions:</strong> Violence is present in the school, where bullying is one of the most frequent  forms of violence. This phenomenon is perceived by students as something  inherent to the everyday.</p>
<p align="justify"><strong>Key words:</strong> Violence, Adolescent, Bullying. (Source: DeCS  BIREME).<strong></strong><br />
  <span class="su"><em><a href="http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83">http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.83</a></em></span></p>
<p align="justify" class="su"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>
<p align="justify">O fenômeno da violência é um problema crescente em todo o mundo. Por  sua amplitude e disseminação nos últimos anos, tem adquirido visibilidade,  passando a ser discutida e estudada por diferentes setores da sociedade  brasileira, a fim de se compreender e identificar os fatores que a determinam.</p>
<p align="justify">Estudos apontam que existe uma maior exposição de crianças e  adolescentes à violência (1). No Brasil, a redução da violência  contra crianças e adolescentes e a prevenção e o tratamento dos agravos  decorrentes da violência, são prioridades do Ministério da Saúde, pois, o  aumento dos índices de violência com o passar dos anos é uma realidade em nosso  país e com ele o aumento dos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o  tratamento das vítimas de violência (2).</p>
<p align="justify">A violência entre as crianças e adolescentes podem ser expressas das  mais variadas formas, podendo ocorrer desta forma, em ambiente familiar,  comunitário e escolar. Por se tratar de um grupo vulnerável a situações de  violência, depende diretamente da proteção de adultos, das instituições e das  políticas públicas (3).</p>
<p align="justify">Diante disso, existe um tipo específico de violência que acomete  intensamente esse grupo: o <em>bullying</em>.  Este é atualmente considerado um problema de saúde pública crescente em todo o  mundo, sendo que muitas são as motivações para a prática de violência no  cotidiano dos adolescentes no contexto escolar, envolvendo aspectos ligados às  relações afetivas e aos colegas (4).</p>
<p align="justify">O <em>bullying</em> consiste em um  conjunto de atitudes agressivas intencionais e repetitivas que ocorrem sem  motivação evidente, adotada por um ou mais alunos contra outros (5). Os mais  fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão e prazer, suas  &ldquo;brincadeiras&rdquo; têm como propósito maltratar, humilhar e amedrontar. Tal  violência consiste em uma prática perversa de humilhações sistemáticas de  crianças e adolescentes no ambiente escolar (6).</p>
<p align="justify">Crianças e adolescentes que sofrem <em>bullying</em>, dependendo de suas características individuais e de suas  relações com o meio, destacando aqui a família, poderão não superar, parcial ou  totalmente, os traumas sofridos na escola. Sentimentos negativos, especialmente  como baixa autoestima, depressão, medo, vergonha podem permear todo o  desenvolver da criança, tornando-as adultos com sérios problemas de  relacionamento e susceptíveis a praticar o <em>bullying</em> no futuro (7).</p>
<p align="justify">O <em>bullying</em> pode ser  classificado em: direto ou indireto. São consideradas <em>formas</em> diretas: os apelidos, agressões físicas, ofensas verbais,  ameaças, roubos ou expressões e gestos que geram mal estar aos alvos. O  indireto compreende atitudes de indiferença, isolamento, difamação e negação  aos desejos (8). Interessante reforçar que este é um fenômeno que se  apresenta, na maioria das vezes, de forma tão oculta que poderia ser designado  de &ldquo;ponta do iceberg&rdquo;, visto que a maior parte permanece invisível. (9,10).</p>
<p align="justify">Portanto, diante do exposto, esta pesquisa teve como questão  norteadora: Qual a ocorrência do <em>bullying</em> entre adolescentes de escolas públicas de Senhor do Bonfim-BA e qual a  percepção dos envolvidos acerca do tema?   O objetivo foi identificar a ocorrência e a percepção do <em>bullying</em> entre adolescentes.</p>
<p align="justify" class="su"><strong>MATERIAIS E MÉTODOS</strong></p>
<p align="justify">Trata-se de um estudo de abordagem mista. As abordagens  quantitativas e qualitativas têm trazido contribuições, de forma isolada, para  compreensão dos fenômenos sociais. Quando estas abordagens são trabalhadas  separadamente, corre-se o risco de não se identificar elementos subjetivos  relevantes que não podem ser expressos numericamente ou de se omitir a  realidade estrutural (11). Os sujeitos da pesquisa foram 68  adolescentes do município de Senhor do Bonfim-BA, escolhidos aleatoriamente,  que tivessem como critério de inclusão ter entre 15 e 18 anos, estar estudando  na escola pública estadual do município em questão. Não foi realizado cálculo  amostral, e a instituição de escolha se deu por ser a maior escola pública do  município. </p>
<p align="justify"><strong>A coleta de dados  dividiu-se em duas etapas:</strong></p>
<p align="justify">Na 1ª etapa, os dados qualitativos foram coletados através da  realização de uma oficina com dinâmica de grupo, realizada em Outubro de 2012.  As falas dos participantes foram registradas com um gravador de voz, e após,  foram ouvidas, transcritas, compiladas e analisadas segundo a técnica de  Análise de Conteúdo (12).</p>
<p align="justify">Para a realização da oficina, o grupo foi dividido em subgrupos de  duas ou três pessoas. Foi distribuído uma folha de papel ofício em branco e um  lápis para cada subgrupo. Os mesmos foram orientados a responder no papel a  seguinte pergunta: O que é violência? Cada subgrupo leu a sua resposta ao final  e depois, foi distribuído um texto falando sobre os diversos tipos de violência  a partir do qual instigamos um debate sobre o tema e sobre as situações vividas  pelos adolescentes.</p>
<p align="justify">Na 2ª etapa, para a análise quantitativa, as pesquisadoras aplicaram  um questionário semiestruturado contendo 13 questões a respeito da vivência do <em>Bullying</em>. Os dados foram coletados,  processados e analisados utilizando-se o Microsoft Excel. A coleta se deu em  Novembro de 2012. </p>
<p align="justify">Foram esclarecidos aos sujeitos e  seus responsáveis legais os objetivos e importância da  pesquisa, garantidos o sigilo e a confidencialidade quanto aos seus dados  pessoais, utilizando nome de flores para os entrevistados, além de outros  aspectos éticos baseados na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que  norteia as práticas em pesquisas com seres humanos (13). Os adolescentes, bem  como os responsáveis legais assinaram o Termo de Consentimento Livre e  Esclarecido (TCLE). O trabalho foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da  Universidade de Feira de Santana (UEFS) sob protocolo nº 099/2008.<strong></strong></p>
<p align="justify" class="su"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>
<p align="justify"><strong>Análise qualitativa</strong></p>
<p align="justify">De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), nenhuma  criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência,  discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da  lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais (14).  A abordagem do ECA sobre a violência é ampla, porém, nas falas dos  adolescentes, quando questionados sobre o que é violência, o conceito deles era  muito restrito à violência física. Os adolescentes pesquisados não percebiam  outras configurações (como agressão moral, psicológica e/ou institucional) como  sendo violência.</p>
<p align="justify"><em>&ldquo;A violência é uma  forma de agressão...&rdquo;. (Cravina)<br />
  &ldquo;Aqui no bairro já  aconteceu dos traficantes matar os próprios amigos por causa de droga...&rdquo;. (Blue)<br />
  &ldquo;Violência é tudo  que agride o próximo&rdquo;. (Flor-de-lis)<br />
  &ldquo;Violência é um  ato agressivo, como as brigas de gangues&rdquo;. (Goivo)</em></p>
<p align="justify">Esses dados são compatíveis com estudo realizado com estudantes da  América do Sul, onde foi constatada que a percepção de crianças e adolescentes  é que a violência se caracteriza apenas pela agressão física para 83% dos  entrevistados (15).</p>
<p align="justify">No presente estudo, as entrevistas revelaram ainda que o fenômeno da  violência é bastante comum no cotidiano dos adolescentes, mesmo fora do  ambiente escolar.</p>
<p align="justify"><em>&ldquo;... foi passando  pela rua a noite e logo surpreendido, agredido com pedras pelos bandidos&rdquo;. (Gravata)<br />
  &ldquo;Ela não tinha  feito o jantar ai ele deu um murro nela...&rdquo;. (Girassol)</em></p>
<p align="justify">Esses dados nos fazem refletir sobre o caráter intergeracional da  violência, uma vez que esses adolescentes convivem com a violência no  dia-a-dia, seja no ambiente doméstico ou na rua, o que faz com que ele  reproduza isso no âmbito escolar. Isso é confirmado através de estudo que apontou que pessoas com história de  abusos na infância ou que tenham presenciado a violência dentro de casa têm  maior possibilidades de vivenciarem violência (16).</p>
<p align="justify">O ECA no seu capítulo II estabelece que a criança e o adolescente  tenham direito à liberdade, ao respeito e à dignidade, abrangendo a preservação  da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos  espaços e objetos pessoais (14).</p>
<p align="justify">No momento da discussão da dinâmica, os adolescentes começaram a  interagir e ao serem instigados, revelaram vivência de violência no ambiente  escolar, inclusive, algumas que ultrapassavam a esfera física:<br />
  <em> &ldquo;Me chamam de  gay e me batem [...] eles me chutaram e empurraram por que eu não quis ficar no  grupo deles&rdquo;. (</em>Allium<em>)</em><br />
  </p>
<p align="justify"><em>&ldquo;Os meninos ficam  me chamando de preto, gordo [...] eu não gosto, isso também é violência não  é?&rdquo;. (Cravo)<br />
  &ldquo; É horrível você  se sentir rejeitado, falam com todos menos comigo<br />
  [...] a culpa deve  ser minha, sei lá&rdquo;. (Rosa)<br />
  Tem uns meninos  que me obrigam a fazer o dever para eles, me ameaçam [...] se eu não fizer me  batem. (Antúrio)<br />
  &ldquo;O professor disse  que era todo mundo burro [...]&rdquo;. (Jacinto).</em></p>
<p align="justify">A violência entre crianças e  adolescentes no âmbito escolar é uma problemática amplamente discutida na  atualidade. Neste estudo, percebemos que os adolescentes trazem vivências de  vários tipos de violência, seja física, moral, psicológica causada por colegas  e até mesmo pelo professor.</p>
<p align="justify">Estudo realizado no Brasil  revelou que a utilização de apelidos, muitas vezes pejorativos ou que se  refiram a determinada característica física das vítimas é uma das formas que o  agressor encontra para causar fragilidade na pessoa vitimizada (10).</p>
<p align="justify"><strong>&nbsp;</strong><strong>Análise Quantitativa</strong></p>
<p align="justify">Os adolescentes se caracterizaram por serem 48,5% (n=33) do sexo  masculino e 51,5% (n=35) do sexo feminino. Do grupo, 76,5% (n=52) afirmaram ter  sofrido algum tipo de xingamento, intimidação, agressão ou assédio, os outros  23,5% (n=16) negaram ter sofrido alguma dessas violências.</p>
<p align="justify">Para um indivíduo ser caracterizado como vítima é necessário que o  mesmo tenha sofrido de três a seis ataques no mínimo, em um mesmo período do  ano, e que estes ataques apresentem um caráter de intencionalidade e repetição  (17).</p>
<p align="justify">Em relação aos agressores do <em>bullying</em>,  75% (n= 51) dos entrevistados afirmaram que eram meninos, enquanto que 19,1%  (n=13) afirmaram que foram meninas e 5,9% (n=4) afirmaram que ambos os sexos.  Estes dados deixam claro que as questões de gênero estão arraigadas na forma de  agir dos adolescentes, uma vez que homens se expõe mais à violência.</p>
<p align="justify">Os meninos costumam ser mais agredidos somente por meninos, enquanto  que as meninas são agredidas tanto por meninas quanto por meninos. Contudo, não  se pode deixar de refletir que as meninas podem apresentar formas mais sutis de  expressar a violência, e que muitas vezes os meninos são movidos por processos  culturais e de socialização que os encorajam a assumir posições violentas  rotineiramente naturalizadas pela sociedade (18).</p>
<p align="justify">Na Tabela 1 a realidade na Escola pode ser visualizada. O item  &ldquo;apelidos ofensivos&rdquo; foi referido como a agressão mais freqüente com 25%  (n=17), seguido de &ldquo;humilhações&rdquo; com 19,1% (n=13) e ameaças com 13,2% (n=9).</p>
<p align="justify">Esses dados, vão ao encontro ao estudo realizado em onze escolas do  Rio de Janeiro, onde os principais tipos de <em>bullying </em>identificados foram: apelidos (54,2%), agredir (16,8%) e Ameaçar (8,5%). A  este respeito, estudo constatou que a agressão indireta é a forma mais  utilizada para se maltratar os pares (8).</p>
<p align="justify">A idade que as vítimas tinham quando sofreram o <em>bullying</em> variou de 5 a 11 anos (4,4% n=3), de 11 a 14 anos (45,5%  n=31) e de 14 a 19 anos (50% n=34). Corroborando, estudo desenvolvido sobre a  temática contatou que o envolvimento em comportamentos de <em>bullying</em> parece ter um pico aos 13 anos (19).</p>
<p align="justify"><strong>Tabela 1: Atos violentos vividos pelos adolescentes  pesquisados</strong></p>
<p align="justify"><img src="../Carpeta de Imagenes de html/Gilvania/ATOVIOLENTO-01.jpg" width="426" height="264" /></p>
<p align="justify"><em>Fonte: Dados da pesquisa</em></p>
<p align="justify">Na Tabela 2, estão representados os sentimentos das vítimas após a  ocorrência da violência, que foram: 30,8% (n=21) afirmaram ter ficado com raiva  do agressor, a mesma quantidade referiu sentir-se mal com as agressões, 14,7%  (n=10) não se incomodou, 13,2% (n=9) refere ter ficado com medo e 10,3% (n=7)  não queriam mais ir à escola.</p>
<p align="justify"><strong>Tabela 2: Como a vítima sentiu-se quando aconteceu o <em>bullying</em></strong></p>
<p align="justify"><img src="../Carpeta de Imagenes de html/Gilvania/COMOSENTIU-SE-01.jpg" width="352" height="143" /></p>
<p align="justify"><em>Fonte: Dados da pesquisa</em><strong> </strong></p>
<p align="justify">Em relação à ajuda que as vítimas procuram após terem sofrido  violência nas escolas, 44,1% (n=30) afirmam que buscaram ajuda nos pais, 25%  (n=17) não procuraram nenhuma ajuda, 11,8% (n=8) procuraram outros colegas e  19,1% (n=13) buscaram ajuda nos professores/diretor da escola.</p>
<p align="justify">Percebe-se então que, boa parte ou busca o auxílio dos pais e  professores ou apenas ocultam seus sentimentos. É fato que o <em>bullying </em>se  faz presente nas escolas e que muitas vezes estes casos de violência estão tão  bem camuflados que ninguém consegue identificá-los e media-los; ou as pessoas  vêem e preferem não tomar parte, ou até mesmo, não se sentem preparadas para  tal, inclusive os professores, justificando a necessidade de maiores debates na  área da educação visando uma conscientização sobre os efeitos do <em>bullying</em>,  os quais não ficam restritos às vítimas, agressores e espectadores, mas à  sociedade de uma forma geral (9).</p>
<p align="justify">Por fim, foi questionado se os adolescentes já tinham se colocado na  posição de autor e 11,8% (n=8) responderam positivamente, enquanto 69,1% (n=47)  negaram ter praticado o <em>bullying</em> e  19,1% (n=13) não responderam. Esses achados se assemelham ao estudo realizado  em uma escola de Portugal, onde 36.2% dos alunos afirmaram já terem provocado  colegas mais novos ou mais fracos (20).</p>
<p align="justify" class="su"><strong>CONCLUSÕES</strong></p>
<p align="justify">No presente estudo, a violência expressa através do fenômeno <em>bullying </em>foi uma realidade entre os  adolescentes pesquisados. Os mesmos percebem-na como algo inerente ao cotidiano  e não como algo que deva ser combatido.<strong></strong></p>
<p align="justify">A escola e a família são os espaços ideais para construção de uma  consciência de proteção aos direitos das crianças e adolescentes, partindo da  assertiva que a prevenção deve começar desde cedo, educando os pais para que  estes eduquem seus filhos.</p>
<p align="justify">Este estudo limita-se por ser realizado em uma única escola, de uma  região única, com características socioculturais específicas, não tendo sido  feito também cálculo de amostragem, o que inviabiliza generalizações. Porém,  entende-se que por se tratar de um fenômeno social, as representações aqui  trazidas podem ser utilizadas para instigar novos estudos e/ou se pensar em  trabalhos junto ao público adolescente.</p>
<p align="justify">Dentre as ações implementadas devem ser destacadas o envolvimento de  professores, pais, autoridades educacionais e alunos, buscando definir com  clareza o fenômeno do <em>bullying </em>e  estabelecer as diretrizes necessárias para o desenvolvimento de estratégias que  possam ser executadas por todos, com o único objetivo de garantir uma  convivência social sadia e segura.</p>
<p align="justify"><strong>Conflito de interesses: </strong>Os autores declaram que não há conflito de interesses.</p>
<p align="justify" class="su"><strong>REFERÊNCIAS </strong></p>
<div align="justify">
  <ol>
    <li>Instituto Brasileiro de  Geografia e Estatística (IBGE). Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das  condições de vida da população brasileira [Internet] Disponível em: <a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadores%20minimos/sinteseindicsociais2010/SIS_2010.pdf">http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadores  minimos/sinteseindicsociais2010/SIS_2010.pdf</a> [Acesso em 30 Nov 2011].</li>
    <li>Ministério da Saúde (BR). Saúde  lança Carta Aberta pelo Desarmamento. [Internet] Disponível em: <a href="http://portal.saude.gov.br/404.html">http://portal.saude.gov.br/404.html</a> [Acesso em 10 Nov 2004].</li>
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    <li>Maia LLQGN, Araújo A, Santos  Júnior AS. Motivações para a violência  no contexto escolar sob a óptica do adolescente. Rev Enferm UFSM. 2012; 2  (1):20-31. </li>
    <li>Silva ABB. Mentes perigosas: o  psicopata mora ao lado. Rio de Janeiro, RJ: Editora Objetiva; 2008.</li>
    <li>Palacios M, Rego S. <em>Bullying</em>:  mais uma epidemia invisível? Rev bras educ med.&nbsp;2006; 30(1): 32-47. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022006000100001" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022006000100001</a></li>
    <li>The  Workplace <em>Bullying</em> Institute (WBI). Para entender, corrigir e prevenir todo abuso no trabalho [internet]  Disponível em: <a href="http://www.workplacebullying.org/individuals/impact/social-harm">http://www.workplacebullying.org/individuals/impact/social-harm</a> [Acesso em 2012 Out 28].</li>
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