Tabela 1. Mapeamento das ações de Promoção da Saúde para a pessoa idosa em UBS de um município de Santa Catarina. Navegantes, Santa Catarina. 2025
Tabela 1. Mapeamento das ações de Promoção da Saúde para a pessoa idosa em UBS
de um
município
de Santa Catarina. Navegantes, Santa Catarina. 2025
| UBS | N.º equipe |
Ações de Promoção da Saúde |
Frequência | N.º médio participantes |
Responsáveis pelas ações |
Recursos utilizados |
|---|---|---|---|---|---|---|
| UBS 2 | 3 eSF + 1 eAP |
Educação em saúde para pessoas com Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus. |
Mensal | 5 | Enfermeira |
Insumos enviados pela Secretaria (EVA, cartolina, folha A4) |
| UBS 3 | 2 eSF |
Educação em saúde para pessoas com Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus. |
Mensal | 16 |
Téc. enfermagem, Agente Comunitário de Saúde e odontologista |
Brindes e alimentos para café (recurso próprio) / material de expediente e projetor enviado pela secretaria de saúde |
| UBS 4 | 1 eSF |
Educação em saúde para pessoas com Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus. |
Bimestral | 15 |
Agente Comunitário de Saúde, odontologista, enfermagem |
Brindes e alimentos para café (recurso próprio) / material expediente, WhatsApp e projetor enviado pela secretaria de saúde |
| UBS 5 | 2 eSF | Caminhada. | Semanal | 3 |
Agente Comunitário de Saúde, médico, nutricionista, odontologista, téc. enfermagem |
Sala de reuniões, brindes, mudas e alimentos para café (recurso próprio) / material de expediente e projetor enviado pela secretaria de saúde |
| UBS 6 | 2 eSF | Caminhada. | Semestral | 5 |
Agente Comunitário de
Saúde. |
Computador, Esfigmomanômetros |
| UBS 12 | 1 eSF | Horta comunitária. | Mensal | 2 | Téc. enfermagem | Mudas (recurso próprio) |
| UBS 15 | 2 eSF | Caminhada. | Semanal | 10 |
Agente Comunitário de Saúde. |
Espaço do CRAS, insumos da secretaria (cartolina, EVA, folha A4) |
| UBS 16 | 3 eSF | Caminhada. | Semanal | 10 |
Enfermeiros e Agente Comunitário de Saúde. |
Balança, fita métrica, projetor, microfone |
| UBS 17 | 1 eSF | Educação em saúde para pessoas com Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus. |
Anual | 4 |
Enfermeiros, odontologista, médica, téc. enfermagem |
Projetor, insumos enviados pela secretaria, fita métrica, balança |
| UBS 18 | 3 eSF | Caminhada Grupo de educação em saúde para pessoas com Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus, horta comunitária. |
Caminhada - Semanal/ Grupo de educação em saúde para pessoas com Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus - Quinzenal/ horta comunitária - em implantação |
Caminhada - 15/ Grupo de educação em saúde para pessoas com Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus - 10/ horta comunitária - em implantação |
Enfermeiros, odontologista, Agente Comunitário de Saúde, téc. enfermagem |
Glicosímetro, Esfigmomanômetros, insumos enviados pela secretaria (cartolina, EVA, folha A4) |
Nota: UBS: Unidade Básica de Saúde; eSF: equipe de Saúde da Família; eAP: equipe de Atenção Primária; ACS: Agente Comunitário de Saúde; CRAS: Centro de Referência Social; de Assistência EVA: espuma vinílica acetinada; folha A4: papel no formato A4 (210 mm × 297 mm).
O mapeamento das ações de Promoção da Saúde voltadas à pessoa idosa identificou sua distribuição, periodicidade, profissionais envolvidos e recursos mobilizados nas UBS. Em seguida, realizou-se a análise qualitativa dos relatos dos profissionais da unidade sorteada, visando aprofundar a compreensão dos desafios da PS na APS Tabela 2.
Tabela 2. Caracterização dos profissionais participantes do Círculo Hermenêutico-Dialético em uma Unidade Básica de Saúde. Navegantes, Santa Catarina, 2025
Tabela 2. Caracterização dos profissionais participantes do Círculo Hermenêutico-Dialético em uma Unidade Básica de Saúde. Navegantes, Santa Catarina, 2025
| Codinome | Categoria profissional |
Idade (anos) |
Gênero | Tempo de atuação na APS (meses) |
Tempo de atuação no território (meses) |
|---|---|---|---|---|---|
| Afrodite | Técnica de enfermagem | 51 | Feminino | 73 | 36 |
| Apolo | Agente Comunitário de Saúde |
46 | Feminino | 9 | 9 |
| Ártemis | Enfermeiro | 39 | Masculino | 156 | 36 |
| Atena | Enfermeira | 29 | Feminino | 7 | 7 |
| Hera | Médica | 34 | Feminino | 48 | 48 |
| Minotauro | Agente Comunitário de Saúde |
52 | Feminino | 9 | 9 |
| Perséfone | Recepcionista | 47 | Feminino | 6 | 6 |
| Zeus | Agente Comunitário de Saúde |
54 | Feminino | 252 | 252 |
Nota: APS: Atenção Primária à Saúde
Esses desafios emergiram na forma de RPQs, que foram agrupadas em construções provisórias e posteriormente validadas na sessão de negociação. Dessa forma, esses desafios foram organizados em quatro construções principais, sistematizados no Diagrama de Ishikawa12: equipe, comunidade, recursos e gestão Figura 1.
Figura 1. Diagrama de Ishikawa.
Nota: são ilustrados os principais desafios para a implementação das ações de Promoção da Saúde para a pessoa idosa na UBS, categorizados em quatro temas principais: equipe, comunidade, recursos e gestão. Navegantes, Santa Catarina, Brasil. 2025.
De modo a ilustrar as quatro construções principais sistematizadas no Diagrama, foram apresentados recortes de falas dos colaboradores do estudo.
“Eu tenho vontade, mas também precisaria de conhecimento”: fragilidades das equipes
no
planejamento e execução de ações
As ações desenvolvidas pelas equipes
aparecem fortemente orientadas para a prevenção de agravos,
sobretudo das condições crônicas mais prevalentes entre pessoas idosas. A incorporação de abordagens
ampliadas de promoção ainda é limitada, o que restringe o alcance das práticas no cotidiano dos
serviços.
“[...] as ações que a gente realiza é pra evitar agravos na saúde do paciente. [...] com
isso a gente evita ter
mais casos de doença crônica, como hipertensão, diabetes ou obesidade [...] e mantém a
população em
um nível mais saudável [...]”. (Hera)
Além disso, os relatos evidenciam dificuldades operacionais que atravessam o
trabalho das equipes. A
escassez de profissionais e a desmotivação limitam o planejamento e a continuidade das ações
coletivas.
“[...] tem profissional que está desmotivado [...]há a falta de incentivo, a gente precisa
de incentivo [...]”.
(Apolo)
“[...] somos poucos e aí, às vezes nós deixamos de fazer algumas coisas por falta de tempo
[...]”. (Afrodite)
“[...]isso se vê prejudicado devido à demanda de problemas agudos, que a gente acaba tendo
que resolver
[...].” (Hera)
Não obstante, a liderança aparece como um elemento fundamental para a organização e
motivação
da equipe. Os profissionais destacaram a ausência de referências técnicas e de apoio qualificado
para
orientar o desenvolvimento das ações de PS, especialmente aquelas voltadas ao envelhecimento ativo
e saudável:
“Tentar convencer os pacientes a aderirem”: baixa adesão como limite
imposto
pela comunidade Os profissionais também associam a baixa adesão à fragilidade dos
vínculos com a unidade. A ausência
de espaços coletivos e a dificuldade de aproximação limitam o engajamento ao longo
do tempo. Além
disso, questões socioeconômicas interferem no acesso às ações.
“[...] tem aquela questão
dos grupos [...] quando a gente conseguir resgatar [...] vai ser mais efetivo
[...]
criar mais vínculo [...]”. (Atena)
“[...] falta uma pessoa que [...] tenha uma
liderança [...] que puxe a equipe e faça acontecer. Porque a
equipe é muito coesa, mas sem alguém para organizar, as ações não se mantêm.”
(Minotauro)
“[...] Precisaremos, talvez, de pessoas que já tivessem experiência para nos passar [...]A
gente tem
vontade
de fazer diferente, mas muitas vezes não sabe por onde começar. [...] a gente até tenta, mas
sem esse
apoio fica difícil dar continuidade.” (Apolo)
“[...] O desafio maior é esse, [de] fazer [...] acontecer.” (Minotauro)
A baixa adesão das pessoas idosas aparece como um dos principais entraves enfrentados pelas
equipes.
Trata-se de um desafio recorrente que compromete a continuidade e a efetividade das ações
propostas.
Em muitos casos, o problema se expressa como a dificuldade de mobilizar a comunidade.
“[...] o mais difícil é tentar convencer
os pacientes a aderirem [...]”. (Minotauro)
“[...] Não tem como a gente fazer ações
de Promoção da Saúde se não tem um apoio da comunidade [...]”.
(Hera)
“[…] no momento, a adesão é baixa […] não
[...] por causa dos usuários […] e sim das poucas atividades
que estão realizando nesse momento […]”. (Hera)
“Tudo a gente tem que tirar do nosso bolso”: insuficiência de recursos
como obstáculo No cotidiano do serviço, a fragilidade do apoio estrutural atravessa as
dinâmicas de trabalho. A
dificuldade de acesso a materiais básicos transfere para a equipe a
responsabilidade de viabilizar ações
que deveriam ser sustentadas institucionalmente.
“A gente precisa primeiro ser ouvido”: entraves na comunicação e
burocratização da gestão Os depoimentos também revelam a ausência de espaços
sistemáticos de diálogo e de escuta qualificada
por parte da gestão. Essa limitação reduz a autonomia das
equipes e dificulta a implementação de ações
no território, especialmente aquelas que demandam
planejamento e continuidade.
“Eu quero fazer o meu grupo
[...],
mas eu preciso que o meu
superior diga: ‘vai em frente, faz o teu
grupo’
[...] então a gente precisa disso, a gente precisa primeiro
ser ouvido [...]”. (Apolo)
“[...] falta esse retorno [...] de saber se o que a
gente pede vai ser atendido [...]”. (Atena)
“[...] a gente fala, mas muitas vezes parece
que não chega a lugar nenhum [...]”. (Apolo)
Discussão As ações de PS realizadas nas UBS revelam heterogeneidade nas
atividades ofertadas, refletindo desafios
conceituais e políticos na definição do que constitui a PS6.
Observa-se uma
hegemonia de práticas
direcionadas a temas específicos, como Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT),
ancoradas em um
modelo biomédico que prioriza a queixa e conduta. Esse enfoque limita a incorporação
de ações sobre
determinantes sociais e mantém a PS associada à prevenção de agravos, em desacordo
com a Política
Nacional de Promoção da Saúde (PNPS)15.
Esse padrão também é descrito em outros estudos, que evidenciam a
ampla disseminação de ações
vinculadas ao PSE, grupos de gestantes e grupo de educação em saúde para pessoas com
hipertensão e diabetes nas UBS16,17. No presente estudo, tal
configuração reforça a
invisibilidade da pessoa idosa, uma
vez que as poucas ações identificadas como voltadas ao envelhecimento ativo e
saudável se restringem
a iniciativas insipientes como grupos de caminhada, hortas comunitárias e educação
em saúde. Essas
práticas, embora relevantes, ainda carecem de planejamento estratégico, incentivos
institucionais e
fundamentação conceitual ampliada, limitando sua capacidade de promover autonomia,
funcionalidade
e qualidade de vida no envelhecimento18,19.
Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) disponha de uma política
específica para balizar as ações de
PS6,
observou-se que, no cotidiano dos serviços, essas práticas permanecem muito
ligadas à prevenção
de agravos e ao controle de DCNT20. No presente estudo, as ações
voltadas à pessoa
idosa foram
majoritariamente direcionadas ao manejo de condições crônicas, com pouca
incorporação de estratégias
voltadas à autonomia, à funcionalidade e ao envelhecimento ativo3.
As condições de trabalho emergem como fator estruturante desse
cenário. A desmotivação e a ausência
de incentivo institucional dificultam a organização e a continuidade das ações
coletivas, especialmente
aquelas direcionadas à população idosa21. A isso se somam fragilidades
formativas,
uma vez que os
profissionais se dizem despreparados, embora desejosos de atuar de modo diferente,
reforçando a
ausência de apoio técnico e espaços para troca e reflexão. Como resultado, muitas
ações permanecem
presas a formatos tradicionais, centrados na transmissão de informações, com pouco
espaço para o
diálogo e para a construção conjunta com a comunidade22.
As diretrizes nacionais reforçam que as ações de PS devem ser
construídas com a comunidade, e não
para a comunidade4, exigindo a superação de práticas
verticalizadas e pouco
sensíveis às experiências
e necessidades do território. Além disso, a participação comunitária, especialmente
das pessoas idosas,
contribui para o empoderamento, o autocuidado e a melhoria da qualidade de
vida23.
Nesse contexto, a liderança aparece como ponto sensível. As equipes
relatam bom entrosamento e
relações colaborativas, mas sentem falta de referências que impulsionem e sustentem
as iniciativas ao
longo do tempo. Sem essa mediação, as ações dependem excessivamente da motivação
individual e se
tornam frágeis diante das oscilações do cotidiano9.
Em relação à comunidade, a baixa adesão às ações emergiu como um dos
principais desafios enfrentados
pelas equipes. A participação reduzida das pessoas idosas já é apontada na
literatura como obstáculo
para a continuidade e a efetividade das atividades, evidenciando limites na forma
como essas ações
se inserem e são apropriadas no território24. Esses achados reforçam que a
adesão
não pode ser
compreendida apenas como decisão individual, mas como expressão de condições
sociais, culturais e
organizacionais. Embora os profissionais não utilizem explicitamente o termo
barreira cultural, os relatos
indicam dificuldades relacionadas à forma como as ações dialogam, ou não, com os
modos de viver,
expectativas e referências da comunidade.
Estudos indicam que a baixa participação também se relaciona a
fatores concretos do
cotidiano, como
barreiras geográficas, dificuldades de deslocamento e limitações de acesso aos
serviços,
especialmente
em contextos de maior vulnerabilidade5-7. Além disso, a adesão tende a ser
menor quando
os usuários
não percebem benefícios claros nas atividades ofertadas ou apresentam baixa crença
na
eficácia das
ações. Esses aspectos estão diretamente associados aos níveis de satisfação e de
vínculo
estabelecidos
com as equipes de saúde1-4.
Sabe-se ainda que, a metodologia adotada nas ações influencia
diretamente esse cenário.
No contexto
do estudo, práticas pontuais e tradicionais mostraram baixo potencial de
mobilização,
por reforçarem
relações verticalizadas e a posição passiva dos usuários no processo
educativo23. Em
contraste, intervenções orientadas pela autonomia e pelo protagonismo favoreceram
maior
engajamento, ampliando o diálogo
entre o saber científico e o saber popular e fortalecendo os vínculos entre equipes
e
território25.
Para a população idosa, essa perspectiva assume relevância
particular. Ao reconhecer
trajetórias,
vivências e contextos, essas abordagens contribuem para que os sujeitos se percebam
como
parte ativa
do cuidado, em consonância com os princípios da Promoção da Saúde que defendem a
participação
social como eixo estruturante das práticas25.
Os recursos, sejam materiais, financeiros ou estruturais, são pilares para a
execução
das ações de PS na
APS26.
Contudo, as falas dos profissionais destacam que a escassez desses elementos
constitui uma barreira
recorrente, comprometendo tanto a continuidade quanto a qualidade das iniciativas
desenvolvidas. A
limitação material não afeta apenas a execução das ações, mas restringe a
possibilidade
de inovação e
de adequação das iniciativas às necessidades locais27.
A insuficiência de recursos impacta a percepção dos profissionais sobre o valor de
suas
ações. A ausência
de materiais e de infraestrutura adequada, tende a gerar sentimentos de
desvalorização,
o que repercute
negativamente na motivação das equipes e na qualidade das práticas
desenvolvidas15-28.
Esse cenário
destaca a necessidade de articulação entre gestão e as equipes, de modo a
identificar
lacunas e construir
soluções compatíveis com a realidade local15.
Para superar esses desafios, é imprescindível um planejamento adequado que priorize
o
fortalecimento
da infraestrutura e o suporte às equipes. Outrossim, a implementação de estratégias
participativas pode
ampliar o impacto das iniciativas de PS e favorecer sua sustentabilidade23.
No que se refere à população idosa, a ausência de apoio gerencial e
de estratégias
organizadas impactou
diretamente a continuidade das ações voltadas ao envelhecimento ativo e saudável. A
falta de escuta
institucional comprometeu iniciativas que poderiam fomentar a participação social,
autonomia e
funcionalidade na velhice; pilares fundamentais para o envelhecimento digno e com
qualidade de
vida. Nesse sentido, as ações de PS destinadas à pessoa idosa demandam planejamento
estratégico e
articulação institucional, considerando suas especificidades e valorizando o
território
como espaço de
construção coletiva da saúde.
A gestão é balizadora na definição de prioridades, no direcionamento de recursos e
na
sustentação das
ações desenvolvidas na APS19. Quando o envelhecimento ativo
não se configura como eixo
estratégico
nas agendas institucionais, as ações de PS voltadas à pessoa idosa tendem a assumir
caráter pontual.
Nessas situações, passam a depender da iniciativa individual dos
profissionais15, o que
compromete sua
continuidade e alcance. Esse cenário fragiliza as práticas de PS e reforça a
invisibilidade da pessoa idosa
no planejamento das ações coletivas17.
A burocratização dos fluxos decisórios e a demora nas respostas
institucionais
desestimulam iniciativas
de PS no território, especialmente aquelas que exigem articulação intersetorial e
apoio
contínuo24. O
fortalecimento de uma gestão participativa, com maior aproximação entre níveis
decisórios e equipes
locais, favorece ações mais consistentes e alinhadas às necessidades do
envelhecimento
saudável na
APS25.
Embora o estudo tenha permitido uma análise aprofundada das práticas
de PS nas UBS,
algumas
limitações devem ser consideradas. A amostra foi composta por profissionais de saúde
de
apenas um
município e de uma UBS, o que pode limitar a generalização dos achados para outros
contextos. Além
disso, as entrevistas foram realizadas exclusivamente com profissionais da UBS, não
contemplando a
perspectiva dos usuários. Portanto, sugere-se que pesquisas futuras incluam a visão
dos
usuários dos
serviços e explorem diferentes realidades regionais para um entendimento mais
abrangente
dos desafios
da PS na APS. Conclusão Os resultados do estudo evidenciaram que, embora existam iniciativas
voltadas ao
envelhecimento
ativo e saudável, essas ainda são pontuais, pouco sistematizadas e frequentemente
fragilizadas por
barreiras estruturais, organizacionais e de gestão. Predomina um modelo biomédico,
com
práticas
centradas em agravos e doenças crônicas, enquanto ações voltadas à funcionalidade, à
qualidade de
vida e ao protagonismo das pessoas idosas permanecem incipientes. Os achados sinalizam a necessidade de fortalecer a PS no cuidado à
pessoa idosa, por
meio do
aprimoramento da articulação institucional e da ampliação da escuta qualificada
entre
equipes
e gestão. Esse movimento pode favorecer o planejamento das ações, criar condições
para o
fortalecimento do protagonismo das pessoas idosas e consolidar práticas que
valorizem a
autonomia,
o autocuidado e a participação comunitária.
Conflito de interesses: Os autores declaram que não houve conflito
de interesses.
Financiamento: O presente estudo integra a pesquisa
de doutorado
intitulada “Desafios e
oportunidades para a Promoção da Saúde à Pessoa Idosa na Atenção Primária:
Avaliação
de
Quarta
Geração”. O estudo não contou com financiamento. Contribuições dos Autores: FSTdS: Conceitualização;
Curadoria de
Dados; Análise Formal;
Pesquisa; Metodologia; Supervisão; Validação; Redação-preparação do rascunho
original,
Redaçãorevisão
e edição. JGdS: Validação; Redação-revisão e edição. LEW: Redação-revisão e edição.
RdSM:
Redação-revisão e edição. BPdA: Curadoria de Dados; Visualização; Redação-revisão e
edição. AdLS:
Conceitualização; Pesquisa; Supervisão; Visualização; Redação-revisão e edição.
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2019;24(8):2783–92. https://doi.org/10.1590/1413-81232018248.34462018
Figueiredo IDT, Torres GMC, Cândido JAB, Morais APP,
Pinto AGA, Almeida MI de.
Planejamento estratégico como ferramenta de gestão local na atenção primária
à saúde.
Rev. Fam. Ciclos Vida Saúde Contexto Soc. 2020;8(1):27-38.
https://www.redalyc.org/journal/4979/497962779006/html/
A escassez de insumos, materiais e apoio estrutural constitui um obstáculo
recorrente para a realização
das ações, afetando diretamente o trabalho das equipes.
“[...]aqui que às vezes a
gente não tem muito recurso[...]”. (Afrodite)
“[...] dificuldade
[...] de materiais e equipamentos para algumas atividades que a gente possa
querer
desenvolver [...]”. (Ártemis)
Além das limitações operacionais, os profissionais apontam a escassez de
apoio estrutural mais
consistente. Em alguns casos, essa lacuna faz com que os trabalhadores
assumam custos básicos para
viabilizar as ações, gerando desgaste e sensação de desamparo institucional.
“[...] o que nos
falta é a colaboração da gestão para materiais [...] ofertar um café,
lembrancinhas
[...]
porque tudo a gente tem que tirar do nosso bolso [...]”. (Zeus)
“[...] se eu
precisar imprimir material [...] vai ser tudo preto e branco [...]
um folder assim não
chama
atenção [...] a gente precisaria de apoio [...] de material [...]”.
(Apolo)
“[...] eu
acho que melhorar seria a gente ter livre acesso aos materiais
[...] marcar consulta e não
faltar
nada [...] porque às vezes falta material [...]”. (Zeus)
Na construção referente à gestão, os relatos evidenciam que a
fragilidade na comunicação institucional
e a burocratização dos processos decisórios constituem entraves.
A gestão aparece como um nível
distante do cotidiano das equipes, especialmente no que se
refere às ações voltadas à pessoa idosa.
“[...] às vezes o que não depende
da nossa UBS, que depende de
fora, da gestão da Secretaria, demora”
(Zeus)
“[...]
não tem como a gente fazer ações de Promoção da Saúde se não
tem apoio da prefeitura [...]”.
(Hera)
