Cuidar quando o cuidador adoece: uma análise qualitativa dos impactes e dos desafios multidimensionais no cuidado informal
DOI:
https://doi.org/10.15649/cuidarte.5416Palavras-chave:
Cuidadores Informais, Sobrecarga do Cuidador, Apoio Social, Políticas PúblicasResumo
Highlights
- O impacte do cuidado informal nos cuidadores é multidimensional, com repercussões ao nível pessoal, familiar, social, laboral e financeiro.
- Quando o cuidador informal adoece enfrenta dificuldades acrescidas à exigente tarefa de cuidar e apenas encontra resposta no apoio da rede informal.
- Havendo pouco estudos com cuidadores que adoecem, o artigo dá voz às dificuldades enfrentadas na primeira pessoa e problematiza a situação de responsabilidade coletiva.
- A crescente relevância do cuidado informal obrigada a políticas e intervenções sociosanitárias integradas e de proximidade, garantindo suporte efetivo para cuidar de quem cuida.
Introdução: O cuidado informal tem enorme relevância societária nos países do sul da Europa. A doença em cuidadores coloca um véu de dúvidas no processo de cuidar. Objetivo: Analisar os impactes e os desafios multidimensionais quando o cuidador informal enfrenta uma situação de doença ou de incapacidade. Materiais e Métodos: Usou-se uma metodologia qualitativa com recolha de dados através de entrevistas semiestruturadas e com recurso à análise de conteúdo categorial. Os cuidadores participantes foram recrutados na comunidade através de organizações. Resultados: Participaram 10 cuidadores informais, 9 do sexo feminino, com idades entre os 47 e os 80 anos de idade, que eram familiares e coabitavam com a pessoa cuidada. O estudo analisa duas categorias: os impactes no cuidador informal e o cuidar numa situação de doença ou de incapacidade. Os resultados mostraram impactes nas esferas da vida familiar, pessoal, social, laboral, e financeira, sendo destacada a restrição na autonomia e na liberdade. A situação de doença do cuidador teve implicações na prestação de cuidados, tendo havido necessidade de ativar a rede de suporte informal, eminentemente familiar. Foram evidenciadas dificuldades de acesso ao apoio formal. Discussão: Destacam-se as particularidades da vivência da situação de doença por parte dos cuidadores informais, tendo sido potenciadas dificuldades acrescidas relativamente ao que outros estudos mostram em relação ao cuidado informal. Conclusão: O estudo contribui para evidenciar as dificuldades e as necessidades de resposta e de apoio aos cuidadores que adoeceram, colocando desafios à intervenção social e em saúde na comunidade e às políticas públicas.
Como citar este artigo: Durão, Inês Costa; Guadalupe, Sónia. Cuidar quando o cuidador adoece: uma análise qualitativa dos impactes e dos desafios multidimensionais no cuidado informal. Revista Cuidarte. 2026;17(3):e5416. https://doi.org/10.15649/cuidarte.5416
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